Nitrogênio e fósforo em ETEs: quais formas analisar e o que pode mudar com a revisão das regras de lançamento?
Analisar nitrogênio e fósforo significa quantificar as formas em que esses elementos existem na água ou no efluente. Cada forma tem um significado: o nitrogênio amoniacal indica poluição recente e é tóxico a peixes; o nitrato indica nitrificação ou contaminação de aquífero; o fósforo total mede o potencial de eutrofização. A escolha das frações depende da finalidade: licença de lançamento, controle de processo ou monitoramento de corpo receptor.
Resumo Executivo — Nitrogênio e fósforo são os nutrientes que controlam a eutrofização de rios e reservatórios. O nitrogênio aparece em quatro formas relevantes (amoniacal, orgânico, nitrato e nitrito) e o fósforo, em três (ortofosfato, hidrolisável e orgânico). A Resolução CONAMA nº 430/2011 fixa 20,0 mg/L N de nitrogênio amoniacal para efluentes em geral (art. 16, Tabela I), padrão que não é exigível para sistemas de tratamento de esgoto sanitário (art. 21, §1º); o fósforo é controlado pela classe do corpo receptor (Resolução CONAMA nº 357/2005). Em setembro de 2026, o MMA anunciou a aprovação de uma revisão que trata justamente desses dois nutrientes. A OperatorLab determina todas essas frações no escopo acreditado pela Cgcre (CRL 0309).
Quais são as formas de nitrogênio e o que cada uma indica?
Forma | O que indica | Método (escopo CRL 0309) | LQ |
Nitrogênio amoniacal (NH3/NH4+) | Poluição recente; toxicidade a peixes; consumo de oxigênio na nitrificação | SMWW 24ª ed., 4500-NH3 D (eletrodo) / 4500-NH3 F (espectrofotométrico) | 0,01 mg/L / 0,02 mg/L |
Nitrogênio orgânico (Kjeldahl) | Proteínas, ureia e matéria orgânica nitrogenada não degradada | SMWW 24ª ed., 4500-Norg B (macro Kjeldahl) | 0,05 mg/L |
Nitrogênio Kjeldahl total (NKT) | Amoniacal + orgânico | Cálculo (IOP-A 5.123) | 0,08 mg/L |
Nitrato (NO3-) | Estágio final da nitrificação; contaminação difusa (fertilizantes, fossas) | USEPA 300.1 (cromatografia de íons) / IOP-A 5.026 (espectrofotométrico) | 0,23 mg/L / 0,02 mg/L |
Nitrito (NO2-) | Nitrificação incompleta; instabilidade do processo | USEPA 300.1 / IOP-A 5.027 | 0,04 mg/L / 0,003 mg/L |
Nitrogênio total | Soma de todas as formas | Cálculo (IOP-A 5.124) / colorimétrico (IOP-A 5.146) | 0,23 mg/L / 0,5 mg/L |
Fonte dos VMPs e da composição das somas: Portaria GM/MS nº 888/2021, Anexo 9 e notas (DOU de 07/05/2021). A Portaria condiciona a análise dos subprodutos ao desinfetante e ao oxidante de pré-oxidação usados, e o NDMA é obrigatório apenas onde se pratica cloraminação. Ela também controla o clorato (VMP de 0,7 mg/L), ensaio que não consta no escopo consultado.
O bromato tem uma particularidade no LQ
Para bromato, o LQ do escopo (0,01 mg/L) é igual ao VMP. A Portaria GM/MS nº 888/2021 admite LQ menor ou igual ao VMP, portanto o requisito é atendido. Ainda assim, um resultado "< LQ" indica que o bromato não foi quantificado, mas a leitura de conformidade exige atenção à incerteza e à regra de decisão. Quem usa ozônio deve discutir essa leitura com o laboratório antes de fechar o plano.
Onde e quando coletar?
• Na saída do tratamento e nos pontos da rede com maior tempo de residência (pontas de rede, reservatórios).
• Nos períodos de maior temperatura e de maior carga orgânica na água bruta, quando a formação tende a ser maior.
• Junto com a análise em campo de cloro residual, que ajuda a interpretar o resultado.
Como coletar sem perder o resultado?
• THM: vial sem espaço de cabeça (são voláteis) e agente redutor para interromper a reação do cloro residual.
• AHA: frasco próprio com preservante que neutraliza o cloro.
• Bromato e clorito: frasco e preservação específicos para ânions; o clorito é instável e pede análise rápida.
• Refrigeração do ponto de coleta ao laboratório, com cadeia de custódia completa.
FAQ
O que são trihalometanos? Compostos orgânicos formados quando o cloro reage com matéria orgânica natural. O clorofórmio é o mais comum.
Qual o VMP de ácidos haloacéticos na Portaria 888? 0,08 mg/L para a soma dos ácidos haloacéticos.
Trocar o cloro por outro oxidante elimina o problema? Não: muda o subproduto. Ozônio pode formar bromato; dióxido de cloro, clorito e clorato.
Por que o resultado varia tanto ao longo da rede? Porque a formação continua enquanto houver cloro residual e matéria orgânica. Quanto mais tempo a água fica na rede, maior tende a ser a concentração.
Remover matéria orgânica antes da desinfecção ajuda? Em geral, sim: menos precursor, menos subproduto. A estratégia de tratamento é decisão da operação da ETA.
Conclusão
Monitorar subprodutos da desinfecção é medir o equilíbrio entre segurança microbiológica e segurança química. A OperatorLab (Cotia/SP) determina trihalometanos, os nove ácidos haloacéticos, bromato, clorito, 2,4,6-triclorofenol e NDMA em água para consumo humano, com acreditação concedida pela Coordenação Geral de Acreditação do Inmetro (Cgcre), segundo a ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017, sob o registro CRL 0309.
Quer montar ou revisar o plano de subprodutos da desinfecção da sua ETA? Fale com a equipe técnica da OperatorLab.
Conteúdo informativo. VMPs conforme Portaria GM/MS nº 888/2021; confirme os valores no texto legal vigente. Escopo CRL 0309 consultado, emitido em 19/09/2025.





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